segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Pesquisa - Religiões no Brasil


Pesquisa Datafolha publicada nesta segunda-feira 13/1 pelo jornal "Folha de S.Paulo" aponta que 50% dos brasileiros são católicos, 31%, evangélicos, e 10% não têm religião. Ainda de acordo com o levantamento, as mulheres representam 58% dos evangélicos e são 51% entre os católicos.

A pesquisa foi feita nos dias 5 e 6 de dezembro do ano passado, com 2.948 entrevistados em 176 municípios de todo o país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Religião dos brasileiros
Católica: 50%
Evangélica: 31%
Não tem religião: 10%
Espírita: 3%
Umbanda, candomblé ou outras religiões afro-brasileiras: 2%
Outra: 2%
Ateu: 1%
Judaica: 0,3%

Religião por sexo
Católicos:
Mulher: 51%
Homem: 49%

Evangélicos:
Mulher: 58%
Homem: 42%

Religião por cor
Católicos:
Parda: 41%
Branca: 36%
Preta: 14%
Amarela: 2%
Indígena: 2%
Outras: 4%

Evangélicos:
Parda: 43%
Branca: 30%
Preta: 16%
Amarela: 3%
Indígena: 2%
Outras: 5%

Religião por idade
Católicos:
16 a 24 anos: 13%
25 a 34 anos: 17%
35 a 44 anos: 18%
45 a 59 anos: 26%
60 anos ou mais: 25%

Evangélicos:
16 a 24 anos: 19%
25 a 34 anos: 21%
35 a 44 anos: 22%
45 a 59 anos: 23%
60 anos ou mais: 16%

Religião por escolaridade
Católicos
Fundamental: 38%
Médio: 42%
Superior: 20%

Evangélicos
Fundamental: 35%
Médio: 49%
Superior: 15%

Renda
Católicos
Até 2 salários mínimos: 46%
De 2 a 3 salários mínimos: 21%
De 3 a 5 salários mínimos: 17%
de 5 a 10 salários mínimos: 9%
Mais de 10 salários mínimos: 2%

Evangélicos
Até 2 salários mínimos: 48%
De 2 a 3 salários mínimos: 21%
De 3 a 5 salários mínimos: 17%
de 5 a 10 salários mínimos: 7%
Mais de 10 salários mínimos: 2%

Região do país
Católicos
Sudeste: 45%
Sul: 53%
Nordeste: 59%
Centro-Oeste: 49%
Norte: 50%

Evangélicos
Sudeste: 32%
Sul: 30%
Nordeste: 27%
Centro-Oeste: 33%
Norte: 39%

domingo, 12 de janeiro de 2020

Nexo zero - JRGuzzo


Uma das mais eficazes maneiras de perder hoje o seu tempo é ler o que escrevem ou ouvir o que dizem os “especialistas”. Problema de solução simples, então; bastaria ir se desviando dessa turma, a cada vez que um deles passa pela sua frente, e aproveitar o dia com alguma outra coisa, pois qualquer coisa será mais útil. É fácil, claro, escrever artigos dando sugestões como essa. Mas como é que um cidadão normal, hoje em dia, consegue evitar na prática um “especialista”, se praticamente todas as pessoas a quem recorre para ficar melhor informado são “especialistas”? É um problema e tanto. Como ocorria antigamente com os comunistas, que estavam escondidos debaixo de cada cama do Brasil, ou mesmo do mundo, agora quem está infiltrado em sua casa, pronto para saltar da primeira gaveta, é o “especialista”. Você pode correr dele. Mas ele vai atrás de você.

O bioma natural do “especialista”, digamos assim, é a universidade – mas o seu hábitat preferido são as mesas-redondas de televisão, programas de rádio, entrevistas de jornal e os textos ou vídeos que aparecem nas redes sociais. Não dá para chegar perto de nada disso sem cair direto num “especialista”. Ele vai lhe dizer, com segurança científica, o que significa qualquer coisa que esteja acontecendo na calota polar, em São José dos Ausentes ou na face oculta da Lua – e praticamente nada do que ensinar servirá para qualquer propósito útil. Em geral é o pior tipo que alguém poderia procurar para tentar entender algum assunto: ou não sabe nada sobre o que está falando, ou sabe alguma coisa, mas não sabe explicar, ou expõe apenas os seus próprios desejos de que isso seja assim ou assado. Especializam-se, no fundo, em ser “especialistas”.

No momento, e durante ainda mais algum tempo, os “especialistas” estão nos explicando o que acontece no Oriente Médio. Tem sido um clássico no gênero. O público foi informado de que o presidente Donald Trump estava praticamente começando a Terceira Guerra Mundial, que o Irã iria ganhar (ou já ganhou) o conflito com os Estados Unidos e que, no fim, quem se deu bem mesmo foi a tirania dos aiatolás. Não houve guerra mundial nenhuma – aliás, não houve guerra nem entre os dois. Os iranianos continuam se matando apenas entre si próprios e seus vizinhos e a ideia de que poderiam ganhar uma guerra nuclear com os Estados Unidos foi adiada para um futuro ainda não determinado. Não se trata de um momento pouco feliz dos “especialistas” – é assim mesmo que eles são, em sua grande maioria, e na grande maioria dos assuntos sobre os quais expedem os seus decretos. Já falaram, em outras ocasiões recentes, que o ministro Sérgio Moro estava morto e enterrado depois das gravações roubadas de suas conversas. Atribuíram a queda superior a 20% nos homicídios, em 2019, à iniciativa dos homicidas, ou algo assim. Julgaram que o juro baixo era um problema. Chegaram a dizer, para mostrar os perigos extremos de uma maior liberalização na compra de armas, que o tiro de um fuzil de 5,56 milímetros podia atravessar de uma vez só 12 pessoas colocadas lado a lado numa fila. Nexo? Zero.

Daria para encher esta edição de domingo, inteirinha, com as lições que recebemos de especialistas com dois anos de experiência após a faculdade, de cientistas que jamais escreveram uma linha sobre qualquer tema, de qualquer ciência, ou de juristas que foram reprovados no concurso público para a magistratura.

Como dizia Oscar Wilde, mais da metade da sua cultura depende daquilo que você não lê – e isso na época dele, há mais de 100 anos, quando não havia ninguém escrevendo nas redes sociais. Imaginem agora.

sábado, 4 de janeiro de 2020

Os 20 maiores avanços tecnológicos do Século XXI


Alexander Hammond 

Com a década de 2020 chegando, agora é o momento perfeito para refletir sobre os imensos avanços tecnológicos que a humanidade fez desde o início do novo milênio.

Este artigo explora, em nenhuma ordem específica, 20 dos avanços tecnológicos mais significativos que fizemos nos últimos 20 anos.

Smartphones: os telefones celulares existiam antes do século XXI. No entanto, nos últimos 20 anos, suas capacidades melhoraram enormemente. Em junho de 2007, a Apple lançou o iPhone, o primeiro smartphone touchscreen com apelo de massa. Muitas outras empresas se inspiraram no iPhone. Como conseqüência, os smartphones se tornaram parte integrante da vida cotidiana de bilhões de pessoas em todo o mundo. Hoje tiramos fotos, dirigimos sem mapas, pedimos comida, jogamos, mandamos mensagens para amigos, ouvimos música… tudo em nossos smartphones. Ah, e você também pode usá-los para ligar para as pessoas.

Flash drives: primeiramente vendidos pela IBM em 2000, os flash drives USB permitem armazenar facilmente arquivos, fotos ou vídeos com uma capacidade de armazenamento tão grande que seria impossível apenas algumas décadas atrás. Hoje, uma unidade flash de 128 GB, disponível por menos de US$ 20 na Amazon, tem mais de 80.000 vezes a capacidade de armazenamento de um disquete de 1,44 MB, que foi o tipo de disco de armazenamento mais popular nos anos 90.

Skype: lançado em agosto de 2003, o Skype transformou a maneira como as pessoas se comunicam através das fronteiras. Antes do Skype, telefonar para amigos ou familiares no exterior custava muito dinheiro. Hoje, falar com pessoas do outro lado do mundo, ou mesmo fazer videochamadas com elas, é praticamente gratuito.

Google: o mecanismo de busca do Google estreou no final dos anos 90, mas a empresa tornou-se pública em 2004, levando a um crescimento colossal. O Google revolucionou a maneira como as pessoas pesquisam informações online. A cada hora, existem mais de 228 milhões de pesquisas no Google. Hoje, o Google faz parte da Alphabet Inc., uma empresa que oferece dezenas de serviços, como traduções, Gmail, Docs, Chrome e muito mais.

Google Maps: em fevereiro de 2005, o Google lançou seu serviço de mapeamento, que mudou a maneira como muitas pessoas viajam. Com o aplicativo disponível em praticamente todos os smartphones, o Google Maps tornou praticamente impossível se perder. É fácil esquecer que, apenas duas décadas atrás, a maioria das viagens envolvia um extenso planejamento de rotas, com mapas em papel quase sempre necessários ao se aventurar em lugares desconhecidos.

Projeto Genoma Humano: Em abril de 2003, os cientistas sequenciaram com sucesso todo o genoma humano. Através do sequenciamento de nossos aproximadamente 23.000 genes, o projeto lançou luz sobre muitos campos científicos diferentes, incluindo tratamento de doenças, migração humana, evolução e medicina molecular.

YouTube: em maio de 2005, o primeiro vídeo foi enviado para o que hoje é o site de compartilhamento de vídeos mais popular do mundo. Das palestras da Universidade de Harvard sobre mecânica quântica e episódios de TV favoritos aos tutoriais de "como fazer" e vídeos engraçados de gatos, conteúdo quase infinito pode ser transmitido no YouTube gratuitamente.

Grafeno: em 2004, pesquisadores da Universidade de Manchester se tornaram os primeiros cientistas a isolar o grafeno. O grafeno é um alótropo de carbono com a espessura de um átomo que pode ser isolado do grafite. Embora os humanos usem grafite desde a era neolítica, o isolamento do grafeno era anteriormente impossível. Com suas propriedades condutoras, transparentes e flexíveis, o grafeno tem um enorme potencial para criar painéis solares, sistemas de filtragem de água e até defesas mais eficientes contra mosquitos.

Bluetooth: embora a tecnologia Bluetooth tenha sido revelada oficialmente em 1999, foi apenas no início dos anos 2000 que os fabricantes começaram a adotar o Bluetooth para uso em computadores e telefones celulares. Hoje, o Bluetooth está presente em uma ampla gama de dispositivos e se tornou parte integrante do dia-a-dia de muitas pessoas.

Facebook: Desenvolvido pela primeira vez em 2004, o Facebook não foi o primeiro site de mídia social. Devido à sua simplicidade de uso, no entanto, o Facebook rapidamente ultrapassou as outras redes sociais existentes, como o Friendster e o Myspace. Com 2,41 bilhões de usuários ativos por mês (quase um terço da população mundial), o Facebook transformou a maneira como bilhões de pessoas compartilham notícias e experiências pessoais.

Mars Rover: Lançado em novembro de 2011, o Curiosity está procurando sinais de habitabilidade em Marte. Em 2014, o veículo espacial fez uma das maiores descobertas espaciais deste milênio, quando encontrou água sob a superfície do planeta vermelho. O trabalho do Curiosity pode ajudar os humanos a se tornar uma espécie interplanetária em apenas algumas décadas.

Carros elétricos: Embora os carros elétricos não sejam uma invenção do século XXI, foi somente na década de 2000 que esses veículos passaram a ser construídos em larga escala. Os carros elétricos disponíveis comercialmente, como o Tesla Roadster ou o Nissan Leaf, podem ser conectados a qualquer tomada elétrica para carregar. Eles não precisam de combustíveis fósseis para funcionar. Embora ainda sejam considerados uma moda passageira para alguns, os carros elétricos estão se tornando cada vez mais populares, com mais de 1,5 milhão de unidades vendidas em 2018.

Carros sem motorista: em agosto de 2012, o Google anunciou que seus veículos automatizados haviam completado quase 500 mil quilômetros sem acidentes. Embora os carros autônomos do Google sejam os mais populares no momento, quase todos os fabricantes de automóveis criaram ou planejam desenvolver carros automatizados. Atualmente, esses carros estão em fase de testes, mas, desde que a tecnologia não seja prejudicada por regulamentos excessivamente zelosos, os carros automatizados provavelmente estarão disponíveis comercialmente nos próximos anos.

O Grande Colisor de Hádrons (LHC): com seu primeiro teste realizado em 2013, o LHC se tornou o maior e mais poderoso acelerador de partículas do mundo. É também a maior máquina do mundo. O LHC permite que os cientistas realizem experimentos sobre algumas das teorias mais complexas da física. Sua descoberta mais importante até agora é a partícula de Higgs-Boson. A descoberta dessa partícula dá forte apoio ao "modelo padrão da física de partículas", que descreve a maioria das forças fundamentais do universo.

Coração Artificial AbioCor: Em 2001, o coração artificial AbioCor, criado pela empresa AbioMed, com sede em Massachusetts, tornou-se o primeiro coração artificial a substituir com sucesso um coração humano em procedimentos de transplante cardíaco. O coração artificial AbioCor, ao contrário dos corações artificiais anteriores, não precisa de fios intrusivos que aumentam a probabilidade de infecção e morte.

Impressão 3D: embora as impressoras 3D como as conhecemos hoje tenham começado na década de 1980, o desenvolvimento de métodos de fabricação mais baratos e software de código aberto contribuiu para uma revolução na impressão 3D nas últimas duas décadas. Hoje, as impressoras 3D estão sendo usadas para imprimir peças de reposição, casas inteiras, remédios, membros biônicos e até órgãos humanos inteiros.

Amazon Kindle: em novembro de 2007, a Amazon lançou o Kindle. Desde então, uma infinidade de leitores eletrônicos mudou a maneira como milhões de pessoas leem. Graças aos leitores eletrônicos, as pessoas não precisam carregar pilhas de livros, e autores independentes podem levar suas obras a milhões sem passar por uma editora.

Pesquisa com células-tronco: As células-tronco (ou seja, células básicas que podem se tornar quase qualquer tipo de célula no corpo) estão sendo usadas para cultivar, entre outras coisas, células de rins, pulmões, cérebros e corações. Essa tecnologia provavelmente salvará milhões de vidas nas próximas décadas, pois significa que os pacientes não terão mais que esperar pelos órgãos de doadores ou tomar remédios agressivos para tratar suas doenças.

Foguetes reutilizáveis: em novembro e dezembro de 2015, duas empresas privadas, a Blue Origin (fundada por Jeff Bezos) e a SpaceX (de Elon Musk), pousaram com sucesso foguetes reutilizáveis. Esse desenvolvimento reduz muito o custo de chegar ao espaço e aproxima as viagens espaciais comerciais da realidade.

Edição de genes: em 2012, pesquisadores da Universidade de Harvard, da Universidade da Califórnia em Berkeley e do Broad Institute desenvolveram independentemente uma técnica conhecida como CRISPR. Ela pode ser usada como uma ferramenta de edição de genes para alterar o DNA de um organismo. Ao cortar pedaços de DNA prejudicial, a tecnologia de edição de genes provavelmente mudará o futuro da medicina e poderá eventualmente erradicar algumas das principais doenças.

Gazeta do Povo

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

A ética politizada do PT - A história recente da patifaria no Brasil


Lucas Gandolfe

A falta do senso das proporções é exatamente o mesmo que falta de inteligência moral.

O Movimento pela Ética na Política de 1992 nasceu de um grupo de pessoas, que se reunia na UFRJ. Eram sindicalistas, universitários, militantes de partidos, pessoal das ONGs e dos direitos humanos. Dando “nome aos bois”, tínhamos desde ex-Presidente da OAB até Lula, Herbert de Souza (o Betinho), Marilena Chaui, José Dirceu, Genoino, Frei Betto, tutti quanti. Mas quem realmente coordenou o processo que culminou no impeachment de Fernando Collor foi o PT.

A “Campanha pela Ética”, liderada pelo PT, dava a genérica impressão de estar lutando pela “ética” no sentido geral e corrente, isto é, pelo bem e pela decência, combatendo todo e qualquer elemento corrupto na administração pública, firmando-se como paladino da honestidade nacional. As provas de corrupção no governo de Fernando Collor, suscitando fartas demonstrações de indignação moral, tornou a ficção do Movimento verossímil, permitindo que o moralismo atávico dos brasileiros fosse imediatamente canalizado para o colo da esquerda.

Mas será que o ilustre Partido dos Trabalhadores, cujos principais membros encontram-se atualmente condenados pela Justiça por inúmeros crimes, estava mesmo defendendo a “ética” relacionada à honestidade, moralidade, etc.? Evidentemente que não. Eles defendiam o “Estado Ético”, nada mais, politizando a “ética” e colocando à luta de classes acima do bem e do mal, o que, num futuro bem próximo, inverteria totalmente aquilo que pregavam.

Bem, a partir desse Movimento, o PT assumiu o papel de representante da probidade pública e social, impulsionando cada vez mais a campanha pela “ética” e “cidadania”, ascendendo, assim, à condição quase sacerdotal de condutor moral da nação.

No fim, toda a farsa da “ética” terminou por ser usada como instrumento para a “longa viagem da esquerda - do PT, para dentro do aparelho de Estado”. Pois bem, e depois? A ética foi finalmente implantada no Brasil, expurgando os “ratos que roem nossa bandeira nacional” e vivemos felizes para sempre? Como desgraça pouca é bobagem, descobrimos que, frente ao que estava porvir, o Brasil até que era bem ético.

Desde janeiro de 2003 a gestão petista e seus asseclas conviveram e apoiaram casos de corrupção no Brasil, que, resumidamente, totalizam 4.880 dias de escândalos, somando mais de R$ 47 bilhões. Da posse de Lula ao afastamento de Dilma, em maio de 2016, os escândalos políticos e casos de corrupção sempre estiveram presentes.

Logo nos primeiros seis meses de gestão, o PT enfrentou a CPI do Banestado que envolvia dinheiro enviado ilegalmente para paraísos fiscais. Na época, o deputado José Mentor foi acusado de sabotar a CPI para proteger os petistas. Também em junho de 2003 veio à tona o esquema de corrupção no DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte) com desvio de R$ 32,3 milhões de recursos destinados à construção de estradas. O alvo das denúncias foi o ministro dos Transportes, Anderson Adauto.

Ainda em 2003, agora em setembro, outro escândalo. A ministra de Lula na Secretaria de Assistência e Promoção Social, Benedita da Silva, usou recursos públicos para custear passagens e hospedagens para Argentina e Nova Iorque, em compromissos pessoais. Ao todo, foram R$ 19 mil.

No início de 2004 surgiram as primeiras evidências do esquema do mensalão, maior escândalo do primeiro mandato de Lula. O mensalão era a propina que o governo pagava, com dinheiro público, a parlamentares para votar a favor das propostas petistas no Congresso. Segundo o STF, o articulador do mensalão foi José Dirceu, ministro da Casa Civil de Lula.

Em 2005, no mês de julho, tivemos outros grandes escândalos, agora envolvendo o ministro Romero Jucá (Previdência) que fez empréstimos de R$ 18 milhões de bancos públicos usando como garantia sete fazendas que não existiam. Na mesma época, estourou o esquema de corrupção apurado na CPI dos Bingos, que detectou um desvio superior a R$ 7 milhões de dinheiro público para políticos e empresários.

Para finalizar o primeiro mandato de Lula e da esquerda no poder, tivemos em 2006 o caso de corrupção de Luis Gushiken, ministro de Comunicações, com respingos do mensalão e também da CPI que investigou o desvio de R$ 11 milhões nos fundos de pensões de funcionários públicos.

A cenoura de burro das esperanças moralizantes da década de 90, que simulava “passar o Brasil a limpo”, mostrou-se um verdadeiro “Cavalo de Tróia”, cuja única preocupação era tomar o poder e fazer crescer o “Novo Príncipe” (ou o Partido, para Antônio Gramsci) por todos os meios amorais, imorais, mentirosos, cínicos, corruptos possíveis. Mas uma grande parcela do povo brasileiro resolveu validar, pelo voto, todos os escândalos petistas, reelegendo Lula. O inverossímil aconteceu!

Previsivelmente, em 2007, Lula iniciou o seu segundo mandato, após a reeleição, com novas suspeitas de corrupção. Na pasta do Trabalho, sob o comando do aliado Carlos Lupi, foi descoberta uma fraude envolvendo ONGs e fundos destinados a programas para desempregados que somaram R$ 18 milhões em desvios.

No ano de 2008, a ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, teve que deixar o cargo depois que descobriram gastos indevidos com cartões corporativos do governo no valor de R$ 171 mil. A denúncia levou a investigações de outras despesas ilegais do alto escalão petista.

Para serem beneficiadas com incentivos fiscais, em 2009, montadoras pagaram até R$ 36 milhões em propinas para o governo petista editar a medida provisória número 471. O esquema gerou um prejuízo de R$ 1,3 bilhões em impostos.

Bem, como diz o ditado popular “errar uma vez é humano, duas é burrice, na terceira você não tem vergonha na cara”. Mesmo frente aos escabrosos e contínuos escândalos de corrupção, julgados ao vivo e a cores, com larga divulgação pelos meios de comunicação, uma parcela de brasileiros manteve o PT no poder. Para mim, isso não só significou validar o que passou, mas também, implicitamente, autorizar sua continuidade.

E foi isso que Dilma Rousseff fez. Em 2013, o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia, foi acusado de envolvimento em fraudes de licitações que chegaram a R$ 1 bilhão. O dinheiro foi enviado para empresas que financiaram a campanha do PT. O final da história nós já conhecemos, a “Lava Jato” desnudou o rei petista e mandou para a cadeia toda a companheirada, responsável pelo maior esquema de corrupção e manutenção de poder da história brasileira, tornando-nos oficialmente uma cleptocracia.

O PT corrompeu com a autoridade moral de quem, ao arrogar-se os méritos de um futuro hipotético, já está absolvido de todos os delitos do presente; roubou com a tranquilidade e o destemor de quem pode usar licitamente de todos os meios, já que é o senhor absoluto de todos os fins. É o Partido Ético, sempre exaltado e defendido por uma parcela de brasileiros. A verdade se transformou em mentira e a mentira em verdade.

O sucesso da revolução cultural do PT foi tão avassalador que - mesmo cientes de toda mentira, corrupção e imoralidade praticada pela esquerda -, a parcela de brasileiros apoiadora dessa aberração política passa de sua cegueira voluntária a sacerdote da “ética na política” para acusar e julgar seus opositores, equiparando “rachadinhas” de gabinete com a corrupção da própria democracia e implantação de uma hegemonia totalitária. Porca miséria!

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Vacina contra a desinformação para 2020 - Alexandre Garcia (Gazeta)


À saída do Mosteiro, no domingo, um conhecido refez uma afirmação disfarçada em pergunta, que eu não havia respondido em janeiro: “Você não acha que só o que falta é melhor comunicação do governo?”. Agora, já com um ano de observação diária, eu respondi: “você não acha que suas fontes habituais de informação é que não estão noticiando as coisas do governo?”.

Cito como exemplo o que descobri só outro dia, por causa de um vídeo que me foi mandado pelo WhatsApp: está pronta a maior ponte ferroviária da América Latina, de quase 3 quilômetros de extensão, atravessando o Rio São Francisco, para a ferrovia leste-oeste, que vai ligar a norte-sul com o porto baiano de Ilhéus. Se antes éramos destinatários de “o que é ruim, a gente esconde; o que é bom, a gente mostra” (ministro da Fazenda em 1994), neste ano parece que fomos vítimas de um “o que é bom, a gente esconde; o que é ruim, a gente mostra – e se não houver ruim a gente inventa”.

Não dá para generalizar; é importante a fiscalização, a exposição das contradições, a crítica – tudo com base em fatos. Não factoides, palavra criada pelo então prefeito Cesar Maia, pai de Rodrigo. Factoides são parecidos com fatos, mas são fatos deformados. É o mesmo que manchetar “Juiz de garantias abre crise entre Moro e Bolsonaro”, quando se sabe que ambos estão contra o tal juiz, e sabem que não vai funcionar, pelo menos nos próximos anos, mas vetar seria criar mais um caso com o Congresso. Moro e Bolsonaro sabem que é bom estar de bem com a maioria legislativa, para continuar aprovando medidas anticrime.

Fica fácil carregar crises sobre o governo, mesmo sem precisar alterar os fatos. Basta escolher analistas, especialistas, políticos, que se sabe o que vão argumentar. E basta procurar manifestações nas redes sociais do vereador Carlos, ou entrevistas do deputado Eduardo, ou usos de câmara de vereadores de Flávio, para criar interpretações catastróficas, como aquela no AI-5 no canal de Leda Nagle. Quem quer que tenha visto e ouvido a declaração, percebe perfeitamente que não houve pregação de volta do Ato Institucional. Mas, enfim, o doutor Freud explica. Quem sofreu derrota fragorosa em outubro de 2018 e padece do fracasso do regime criado pela revolução de outubro de 1917, precisa disso como mecanismo de compensação.

O otimismo voltou à economia e é o fator que impulsiona o investimento e o emprego. A propósito, até o desemprego serviu para estimular o brasileiro empreendedor, sem carteira assinada, com iniciativa própria, fornecedor de empresas, sem horário, dono do próprio nariz e de seu próprio faturamento. Fico pensando o quanto devem estar sofrendo os que apostam contra o giro da riqueza, que distribui bem-estar. Em geral são os mesmo sabichões, especialistas, que garantiam que o atual presidente não teria a menor chance nas eleições.

Imaginem quando todas as escolas deixarem de lado a velha ideologia fracassada e se empenharem no Português, na Matemática, nas Ciências – e não fizermos mais vexame no Pisa. Imaginem que tipo de ideologia pode apostar contra valores da família e a favor da corrupção? Pense nisso, olhando para trás para entrar mais imunizado neste 2020.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

O ano da histeria moderada - Guilherme Fiuza (Gazeta)


Em 2019, a onda de ódio, obscurantismo e protofascismo mergulhou o Brasil nas trevas satânicas do Mal. Impôs-se sobre o país alegre e fagueiro que vivia sua doce pindaíba em perfeita harmonia com seus parasitas uma ditadura cruel e implacável de extrema direita. A seguir, um decálogo da ação hedionda dessa extrema direita:

1 - Menor taxa de juros da história
Todo mundo sabe que juro baixo é coisa de nazista.

2 - Melhor Natal em cinco anos
Papai Noel obrigou o comércio a bombar, senão ia mandar todo mundo pro campo de concentração. O comércio obedeceu – e os consumidores também – porque ninguém é maluco de contrariar um Papai Noel desses.

3 - Menor risco-país da década
Sabendo que com extrema direita não se brinca, porque eles são mau que nem picapau, o mundo disse que voltou a confiar no Brasil e que muito em breve vai devolver a ele o grau de investimento – jogado fora pelo PT no auge da felicidade nacional. Ainda não saiu a reportagem investigativa mostrando que foi o Mourão que mandou o mundo confiar no Brasil com disparos em massa de WhatsApp, mas é questão de tempo.

4 - Mais de 100 bilhões de reais em privatizações
Todo mundo sabe que a riqueza dos brasileiros vem sendo drenada por um Estado burocratizado e corrupto, mas ninguém imaginava que em um ano se pudesse tirar um peso desse tamanho das costas do contribuinte. Só o fascismo seria capaz de uma arbitrariedade dessas.

5 - Cerca de 1 milhão de novos empregos
Mais um indicador incontestavelmente de extrema direita. Botar as pessoas para trabalhar é coisa de ditadura.

6 - Redução da criminalidade em todo o território nacional
Outro absurdo perpetrado por essa ideologia obscurantista que solapa o direito do cidadão de ser roubado e fuzilado normalmente no caminho de casa para o trabalho e vice-versa, ou mesmo num agradável dia de folga. Não é mais segredo para ninguém que Sergio Moro endureceu a vida dos chefes de facção nos presídios, entre várias outras medidas que comprovam o endurecimento do regime. Bem que os hackers do PT avisaram à imprensa amiga que Moro era fascista.

7 - Reforma da Previdência
Medida autoritária de extrema-direita que reabriu as perspectivas do país na marra, justamente no momento em que os brasileiros estavam quase conseguindo cancelar o futuro – essa entidade abstrata, duvidosa e traiçoeira que só serve para ameaçar as pessoas, porque todo mundo sabe que a vida é agora.

8 - Lei da Liberdade Econômica
Atentado miliciano contra o Custo Brasil – essa entidade simpática e secular que sempre chupou o sangue do brasileiro com ternura e sem fazer mal a ninguém. Os vendedores de facilidades estão indignados e irão à ONU denunciar o massacre contra a burocracia nacional, patrimônio do país e fonte histórica de calorias para uma multidão de seres humanos com vocação para não fazer nada. Há o risco iminente de uma epidemia de novas empresas com crescimento do empreendedorismo e ninguém sabe onde isso vai parar. Basta de liberdade imposta goela abaixo.

9 - Abertura da Infraestrutura
Essas medidas despóticas de asfaltamento incessante de estradas, conclusão de ferrovias, concessão de portos e aeroportos, abertura da aviação com ameaça de passagens mais baratas, além da abertura de setores de energia como o do gás com a perigosa atração de investimentos privados provam definitivamente que forças obscuras estão agindo para melhorar a vida do povo sem pedir licença à corte dos parasitas – ou seja, atropelando a democracia de auditório.

10 - Recorde na Bolsa de Valores
É típico fenômeno de extrema-direita o mercado de capitais sair dando saltos de prosperidade por aí. Provavelmente tinha algum fascista com um revólver apontado para a cabeça do mercado mandando-o bater recordes sucessivos em 2019. Essa violência não tem fim.

Feliz 2020 a você que sobreviveu à patrulha da extrema moderação.

Um outro Brasil - JRGuzzo


O fato mais importante da década para o Brasil foi a explosão na cena nacional de um moço nascido no norte do Paraná, formado numa faculdade de direito da cidade de Maringá e desvinculado de corpo e alma do grande circuito São Paulo-Brasília-Rio de Janeiro de celebridades jurídicas, reais ou imaginárias. Seu nome, como todo o Brasil e boa parte do mundo sabe hoje, é Sérgio Moro - um típico “juizinho do interior”, como foi definido na ocasião pelo ex-presidente Lula e sua corte imperial. Todo mundo se lembra: eles simplesmente não entenderam nada quando Moro começou a chamá-lo, como um cidadão normal, para prestar contas à Justiça sobre o que tinha feito em seus tempos de poder e glória. Onde já se viu uma coisa dessas? O titular de uma modesta Vara Criminal de Curitiba, com pouco mais de 40 anos de idade, querendo interrogar, processar e talvez até condenar “o maior líder político” da história do Brasil? Pois é. Era isso mesmo. E o mundo inteiro sabe o que aconteceu depois.

Sérgio Moro mudou a realidade do Brasil como ninguém mais, nestes últimos dez anos - ou 50, ou sabe-se lá quantos. Condenou e botou na cadeia por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, pela primeira vez na história, um ex-presidente da República. Comandou a maior operação judicial contra a corrupção jamais realizada no Brasil. Não só a maior: a primeira feita para valer em 500 anos, a mais bem-sucedida em termos de resultados concretos e a mais transformadora da vida pública que o País já conheceu. Moro, no comando da Lava Jato, conseguiu mostrar a todos, na prática, que a impunidade das castas mais ricas, poderosas e atrasadas da sociedade brasileira não tinha de ser eterna - podia ser quebrada, e foi. O governo paralelo que as empreiteiras de obras sempre exerceram no Brasil, mais importante que qualquer governo constituído, foi simplesmente riscado do mapa. Em suma: a Lava Jato virou uma nação inteira de ponta-cabeça. Havia um Brasil antes de Moro. Há um outro depois dele.

Exagero? Pergunte à Odebrecht, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa ou OAS se mudou ou não alguma coisa importante em suas vidas. A mesma pergunta pode ser feita às dezenas de políticos processados e presos, a empresários piratas que durante décadas saquearam o Tesouro Nacional e aos monarcas absolutos que reinavam nas diretorias das empresas estatais: e aí, pessoal, tudo bem com vocês? Dá para ver se houve ou não mudança, também, quando se constata que a ação de Moro levou milhões de brasileiros para as ruas, num inédito movimento de massas contra a corrupção. Varreu do poder um partido, um sistema e milhares de militantes políticos que mandaram no Brasil durante mais de 13 anos. Fez uma presidente ser deposta do cargo por fraude contábil.

Moro e o seu time fizeram muito mais que condenar 385 magnatas, aplicar 3.000 anos de penas de prisão e recuperar para o erário, até agora, R$ 4,5 bilhões em dinheiro roubado. É bom notar, também, que em toda a Lava Jato não há um único trabalhador punido. Não há nenhum inocente na prisão, agora ou desde que a operação começou, em 2014. Não há, enfim, uma única ilegalidade em nada do que Moro fez - tomou centenas de decisões e três tipos de tribunais superiores a ele examinaram com microscópio tudo o que fez, sem encontrar nada de errado até hoje em sua conduta moral. Acusou-se Moro, até no STF, de colocar em risco “a democracia”. Bobagem. O que acaba com democracia é golpe militar, e não juiz criminal que põe ladrão na cadeia. Nenhum país do mundo, até hoje, virou ditadura por punir a corrupção dentro da lei.

Sérgio Moro deu ao Brasil uma chance de ser um país civilizado. É muito.